Liberdade não antagoniza com boa educação

Circula hoje na internet um vídeo que mostra a invasão, por alunos, de uma sala de aula no campus do Largo São Francisco da USP, durante uma aula. Estamos falando, nada mais nada menos, da tradicional e mais importante faculdade do país, que detém o melhor curso de direito.

Tratava-se da aula do Professor de Direito Administrativo, Eduardo Gualazzi, cujo tema o golpe militar de 1964. Abordava os pontos benéficos do golpe e do regime militar, segundo sua visão.

A ação dos estudantes demonstra o total desrespeito com as instituições e a cidadania posta sob o manto da Constituição Democrática de 1988.

Exatamente a carta constitucional que pôs fim ao regime ditatorial no País. Muito se critica o regime, e com razão, acerca das restrições impostas às opiniões e a imprensa. A censura praticada por governos totalitários contra opiniões que não convergem com a sua ideologia é o assassinato daquilo que o homem tem de mais importante, o “pensamento”. Descartes (1596-1650) há muito asseverou: “Penso, logo existo”.

A capacidade de raciocinar, de pensar é o que nos difere dos demais seres da terra. Sem esse privilégio, que nos foi dado, seríamos como os demais seres vivos. E viveríamos em plena anarquia.

Pois bem, vemos no vídeo que o Profo Gualazzi está expondo sua opinião e revelando as atrocidades cometidas pela esquerda radical, quando é interrompido pelos “protestantes” que invadem a sala de aula encapuzados, utilizando-se de cantos e batuques para calar a voz do professor.

Além de uma tremenda falta de educação, foi uma demonstração de total hipocrisia e contrassenso. Ao invadirem uma sala de aula para calar e censurar o que o professor dizia demonstraram que a censura praticada pelo militares não era algo reprovável. Pelo contrário, para eles, aquele que não concorda com seu pensamento não tem o direito de se manifestar e merece ser censurado, não importa como.

Eis o contrassenso. A liberdade de expressão, arduamente conquistada, a base da muita luta e muito sangue, foi declarada e instituída na Constituição de 1988. A meu ver, para os alunos, o regime militar é que estava certo. “Quem não concorda conosco, que se cale”! Gritam em seu interior.

Por outro lado, não nego, nem é possível fazê-lo, que o regime militar durou tempo demais. De solução para o momento histórico que o país vivia, transformou-se em estratégia de permanência no poder. O uso da força e da caça aos inimigos políticos resultaram no pior período político vivido na República brasileira.

As mortes, torturas, censuras, assim como o terrorismo e as batalhas não devem de fato cair no esquecimento. Devem ser lembradas e contadas para que possamos olhar para trás e compreender onde erramos e evoluir, para que não repitamos os erros.

“País sem história, não é nada”. (Patricio Gúzman) Vejo que só foi possível chegar onde estamos graças ao que vivemos e passamos.Não obstante, há um lado da história que a esquerda mais radical não deixa contar, calando aqueles que o tentam – vide vídeo ora comentado.

Não fosse a intervenção militar em 1964, a esquerda brasileira, apoiada pela URSS e países alinhados, tomaria o poder por intermédio de outro golpe, levando a bandeira comunista ao mais alto escalão governista brasileiro, o que, obviamente, levar-nos-ia a uma aproximação dos ideais e interesses comunistas da URSS.

Novamente, não fosse o golpe, estaríamos hoje abraçados a uma outra ditadura, afundados economicamente, assim como Cuba, Venezuela e outros que usaram a democracia para se instalarem de modo ditatorial no poder.

A queda da URSS e as recentes e atuais revoltas da Ucrânia e Venezuela são claras evidências de que o regime comunista, o socialismo, não passa de uma utopia e não satisfaz a população. O povo quer mais.

Voltando ao vídeo, concluo que, além de que os alunos, que em sua maioria são provenientes das classes mais abastadas da sociedade brasileira, precisam aprender valores básicos do ser humano como educação e respeito, a censura nunca foi privilégio do regime militar e que não podemos atribuir-lhes toda culpa pelo período que passamos. Concluo também que, o Brasil precisa espantar seus fantasmas e olhar para frente, deixar de pensar que a nossa história é uma dívida com a população. Devemos prestar atenção no presente e nos planejarmos para o futuro, pois o País caminha para a regressão econômica, política e moral.

  1. Milena
    | 7 de dezembro de 2015
    Reply

    Jonas, até hoje eu não havia entrado em sua página e quando o fiz, deparei-me com este artigo. Apesar de me encontrar em um lugar ao qual deveria estar focada em outros assuntos, resolvi que queria saber sua opinião sobre o assunto.
    Gostei de suas palavras e concordo com elas.
    Atualmente no Brasil há muita hipocrisia, onde um corrupto aponta para outro corrupto, mas não olha para o próprio umbigo. Eles esquecem que o que somos hoje é um reflexo de nossa vivência e de nossas experiências e que se não fosse por elas nós não seríamos o que somos hoje.
    O passado, a história e os erros de um país ou de um ser humano são necessários para o aprendizado, mas o quê não prestar ou não der certo, a gente absorve o conhecimento, descarta o quê não produtivo e não comete mais estes erros, pois errar uma vez é compreensível, mas insistir no mesmo erro é burrice.

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